Adolescente: desafios na criação de filhos
- Da redação

- há 6 dias
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Ser mãe de adolescente é atravessar uma das fases mais complexas da maternidade. Quando o filho deixa a infância e entra na adolescência, não é apenas ele que muda, a mãe também precisa se transformar.
Essa etapa costuma chegar sem aviso, sem preparo social e sem o mesmo acolhimento que outras fases da maternidade recebem. Ainda assim, ela marca profundamente a relação entre mãe e filho adolescente.
A adolescência é um período de construção de identidade, autonomia e pertencimento. Para a mãe, é também um tempo de revisão, luto e reinvenção. Criar um adolescente exige menos controle e mais presença emocional. Exige aprender a soltar sem abandonar, orientar sem invadir e amar sem aprisionar.
A adolescência como um novo ciclo da maternidade
Muitas mães descrevem a adolescência dos filhos como um novo puerpério, silencioso e invisível. Não há bebê no colo, mas há uma intensa reorganização interna. O filho adolescente começa a se afastar, a questionar regras, a testar limites e a construir um mundo próprio.
A mãe precisa aprender a ocupar outro lugar. Esse novo ciclo costuma trazer sentimentos ambíguos: orgulho pelo crescimento do filho adolescente e tristeza pelo afastamento; alívio por ver a autonomia surgindo e medo do mundo que o espera.
Reconhecer essa ambivalência é essencial para atravessar a fase com mais saúde emocional.
No episódio de estreia da segunda temporada do Podcast Conversas Maternas, aprofundamos essas reflexões sobre maternidade e adolescência: os lutos, os limites, a autonomia e o papel do exemplo na criação de filhos adolescentes.
🎧 Se você é mãe de adolescente — ou está se preparando para essa fase —, vale assistir ao episódio completo com Juliana Silveira, disponível no YouTube e no Spotify.
O luto da mãe na adolescência dos filhos
Um dos temas mais delicados da maternidade na adolescência é o luto simbólico. A mãe perde a função central que ocupava na infância. Já não é mais quem resolve tudo, quem sabe tudo ou quem está no centro das decisões.

Esse luto não é sinal de fraqueza, nem de apego excessivo. Ele é parte natural do processo de criar filhos adolescentes para o mundo.
Muitas mulheres, ao se depararem com esse vazio, entram em contato com perguntas antigas: quem eu sou além da maternidade? O que faço com o tempo, os desejos e os sonhos que ficaram em segundo plano?
Validar esse luto é um passo importante para não transformar a dor em controle excessivo ou conflitos constantes com o adolescente.
Criar adolescentes: autonomia e responsabilidade
Criar filhos adolescentes não é prepará-los para a dependência, mas para a vida. Autonomia não surge de forma repentina; ela é construída aos poucos, por meio de pequenas responsabilidades diárias. Fazer escolhas, lidar com consequências, organizar a própria rotina e assumir erros fazem parte desse aprendizado.
Para muitas mães, permitir que o adolescente erre é um dos maiores desafios. O impulso de proteger pode se confundir com o desejo de controlar. No entanto, criar adolescentes para o mundo é confiar que o vínculo construído ao longo da infância sustenta essa nova etapa.
Autonomia é um ato de amor, mesmo quando dói.
Limites na adolescência sem rigidez

A adolescência é marcada por testes constantes. Questionamentos, silêncios, respostas atravessadas e atitudes impulsivas fazem parte do processo de amadurecimento emocional. Nesse contexto, os limites continuam sendo fundamentais.
Limite não é autoritarismo. É estrutura. É o que oferece segurança ao adolescente enquanto ele experimenta quem é e quem deseja ser. Mães que conseguem sustentar limites claros, com respeito e diálogo, ajudam o filho adolescente a desenvolver responsabilidade e autocontrole.
A comunicação, porém, muda. O adolescente escolhe o que compartilhar e com quem falar. Aprender a escutar mais e interrogar menos é um exercício diário para a mãe.
A mãe também muda adolescente
A chegada da adolescência dos filhos costuma coincidir com outras transformações na vida da mulher: mudanças hormonais, revisões de carreira, crises conjugais e questionamentos existenciais. Tudo parece acontecer ao mesmo tempo.
Nesse cenário, o autocuidado deixa de ser um luxo e passa a ser necessidade. Uma mãe emocionalmente sobrecarregada tende a reagir com mais impaciência, culpa ou frustração diante dos conflitos típicos da adolescência.
Buscar apoio emocional, terapia e espaços de escuta é uma forma de cuidar da relação com o filho adolescente — e consigo mesma.
O exemplo na educação do adolescente
Mais do que discursos, filhos adolescentes observam comportamentos. Eles aprendem como lidar com desafios, frustrações e escolhas a partir do que veem em casa. Uma mãe que trabalha, se reinventa, erra e recomeça oferece uma referência poderosa de autonomia e responsabilidade.
Criar adolescentes conscientes passa pelo exemplo. O modo como a mãe cuida de si, se posiciona no mundo e enfrenta as próprias dificuldades ensina mais do que qualquer discurso. O exemplo arrasta, especialmente na adolescência.
Maternidade real na adolescência
A maternidade de adolescentes não precisa ser romantizada para ser significativa. Ela é intensa, desafiadora e, muitas vezes, solitária. Reconhecer as dificuldades não diminui o amor nem a competência da mãe. Pelo contrário: humaniza a experiência.
Cada fase da maternidade pede uma versão diferente da mulher. Ser mãe de adolescente é aceitar que o vínculo muda, mas não desaparece. Ele se transforma.
Este texto não é um manual. É um convite para olhar a adolescência com mais gentileza, menos culpa e a certeza de que criar adolescentes para o mundo é um dos maiores atos de amor que existem.
*Da redação do Conversas Maternas




























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