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Conheça o novo livro infantil de Geovanna Tominaga

Seu filho precisa de tédio na infância

:O que acontece no cérebro quando a criança não tem nada para fazer?



Seu filho precisa de tédio na infância

Quando seu filho chega até você dizendo que está entediado, o impulso natural é resolver. Oferecer algo, ligar a televisão, sugerir uma atividade.


Mas e se o tédio fosse exatamente o que o cérebro dele precisa naquele momento?


A ciência aponta nessa direção. E o que ela encontrou muda a forma como a gente entende o tempo livre na infância.


Seu filho precisa de tédio na infância

O que acontece no cérebro quando a criança não tem nada para fazer? Quando o cérebro não está ocupado com estímulos externos, ele não desliga. Ele entra em um estado chamado rede de modo padrão, um modo ativo de processamento interno em que o cérebro vaga, imagina, conecta experiências e cria.


É nesse estado que surgem as ideias. As brincadeiras inventadas. As soluções criativas para problemas. Segundo pesquisadores da Universidade de York, o tédio pode funcionar como um gatilho para o pensamento criativo, justamente porque empurra o cérebro a buscar algo novo dentro de si mesmo, e não fora.


Por que estamos roubando o tédio das crianças

A televisão da nossa geração seguia uma programação com hora amrcada. Entre um programa e outro havia um intervalo. Entre uma tarde e outra havia o nada.


Hoje, o feed não acaba. O algoritmo sempre tem mais um vídeo, mais um jogo, mais um conteúdo. O tédio foi eliminado! E isso não é bom.


Uma pesquisa publicada na revista Brain and Behavior em 2025 analisou mostrou que cada hora adicional de vídeos curtos aumentou os comportamentos de desatenção, independentemente do tempo total de tela. O cérebro que nunca fica sem estímulo perde progressivamente a capacidade de se entreter sozinho.


O tédio e a regulação emocional


Seu filho precisa de tédio na infância

Existe uma conexão direta entre tolerar o tédio e desenvolver regulação emocional.


A criança que aprende a ficar consigo mesma, que suporta o desconforto de não saber o que fazer e que encontra uma saída sem precisar de uma tela, está treinando algo essencial: a capacidade de atravessar estados internos difíceis sem fugir deles.


Segundo a pesquisadora Sandi Mann, especialista em tédio da Universidade de Salford, crianças que têm espaço para se entediar desenvolvem mais autonomia, criatividade e tolerância à frustração do que crianças com agendas superlotadas e estímulo constante.


O que fazer quando seu filho diz que está entediado?

A resposta é simples, mas difícil: não resolver imediatamente!


Espere. Observe. Deixe o desconforto existir por alguns minutos. Na maioria das vezes, a criança vai encontrar uma saída sozinha, e essa saída vai ser mais criativa do que qualquer coisa que você pudesse sugerir.


Algumas perguntas que ajudam sem resolver por ela:
  • "O que você poderia fazer agora?"

  • "Tem alguma coisa que você queria ter tentado e não tentou?"

  • "O que você faria se não tivesse nenhum brinquedo?"


Essas perguntas ativam o pensamento autônomo e respeitam o processo que o cérebro precisa atravessar.


Tédio é confiança

Deixar seu filho se entediar não é abandono. É uma das formas mais respeitosas de acreditar na capacidade dele de se virar, de criar e de se desenvolver.


Em um mundo que preenche todos os espaços vazios com estímulo, proteger o tédio é um ato intencional de cuidado com o desenvolvimento infantil.


O tédio é parte da solução. A criança que aprende a conviver com o nada desenvolve algo que nenhuma tela consegue oferecer: a capacidade de se entreter, de criar e de se regular emocionalmente a partir de dentro.


E isso começa quando o adulto resiste ao impulso de preencher cada silêncio.

Compartilhe com quem você acha que precisa desta informação.



Geovanna Tominaga. Jornalista, especialista em infância contemporânea e neurodesenvolvimento, autora do livro Terra do Contrário (PNLD 2026-2029) e idealizadora do Conversas Maternas.

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Mãe de primeira viagem

Eu sou Geovanna Tominaga, jornalista, educadora parental, especialista em neurociência, educação e desenvolvimento infantil. Sou estudante de psicopedagogia e mãe do Gabriel. 

Apaixonada por comunicação, criei o "Conversas Maternas" pra compartilhar  dicas e informações sobre maternidade e desenvolvimento infantil na Primeira Infância para uma parentalidade mais consciente.


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