5 sinais de que seu filho está com dificuldade de regular as emoções
- Geovanna Tominaga
- 1 de jun.
- 3 min de leitura

Toda criança chora, faz birra e perde a paciência. Isso é normal e esperado.
Mas existe uma diferença entre a criança que desregula eventualmente e a criança que desregula com frequência, intensidade e dificuldade de se recuperar.
Essa diferença importa. Ela pode indicar que o cérebro ainda não desenvolveu as ferramentas necessárias para atravessar emoções difíceis, e que algumas mudanças no ambiente podem ajudar muito.
A seguir, conheça os cinco sinais mais comuns e o que você pode fazer em cada um deles!
1.Birras frequentes e intensas para a idade?
Segundo a Academia Americana de Pediatria, birras são comportamento esperado entre 1 e 3 anos. Depois dos 4 anos, episódios frequentes e intensos merecem atenção. O sinal de alerta aparece quando as birras continuam após essa fase, ou quando a criança demora muito para se recuperar depois de uma crise.
A ciência explica por quê: a capacidade de controlar emoções intensas depende de uma região do cérebro que ainda está em formação na infância. Quanto menor a criança, menos ferramentas ela tem para se acalmar sozinha. Isso não é frescura.
O que fazer?
Nomeie a emoção antes de qualquer coisa. "Você está com raiva porque não conseguiu." Essa simples frase já ajuda o cérebro da criança a começar a processar o que está sentindo.
2.Por que a criança não aguenta esperar?
A criança que não consegue esperar sua vez, que interrompe constantemente ou que precisa de resposta imediata para tudo pode estar com dificuldade no controle dos impulsos, uma das habilidades mais importantes para a regulação emocional.
Uma pesquisa publicada na revista MDPI Children analisou mais de 231 mil crianças em 9 países diferentes e chegou a uma conclusão importante: o uso excessivo de tecnologia digital afeta diretamente a capacidade de esperar e de controlar impulsos.
Quanto mais tela passiva, menos treino de espera. Quanto menos treino de espera, mais difícil fica aguentar qualquer coisa que não chegue na hora.
O que fazer?
Crie pequenas situações de espera no dia a dia. Jogos de tabuleiro, receitas na cozinha e atividades com turnos são ótimos treinos de paciência e autocontrole, e o adulto presente faz toda a diferença nesse processo.
3.A criança reage de forma desproporcional?

Ela hora muito por uma coisa pequena. Fica inconsolável por um brinquedo que caiu. Desmorona quando algo não sai como planejou.
A intensidade da reação não combina com o tamanho do problema, e isso pode indicar que o sistema emocional da criança está respondendo de forma exagerada, sem conseguir frear a resposta.
O que fazer?
Valide a emoção sem ampliar. "Eu entendo que você ficou chateado." Sem minimizar ("não foi nada!") e sem dramatizar junto. A presença calma do adulto é o regulador mais poderoso que existe para uma criança nesse momento.
4.Dificuldade de se recuperar depois de uma crise?
Todas as crianças desregulam. O que diferencia é o tempo de recuperação.
A criança que demora muito para voltar ao equilíbrio depois de uma birra ou conflito pode ter dificuldade em sair do estado emocional intenso, mesmo depois que o gatilho já passou.
O que fazer?
Depois que a crise passar, nunca durante, converse sobre o que aconteceu. "O que você sentiu quando isso aconteceu?" Esse momento de conversa ajuda o cérebro a aprender com a experiência e a responder de forma diferente na próxima vez.
5.Usa a tela para regular emoções com frequência?
Se o celular ou o tablet é o primeiro recurso para acalmar qualquer desconforto, seja tédio, frustração, tristeza ou ansiedade, pode ser um sinal de que a criança ainda não desenvolveu formas próprias de se acalmar.
Uma pesquisa publicada na revista Frontiers in Child and Adolescent Psychiatry mostrou algo importante: quanto mais os pais usavam a tela para acalmar birras, menos as crianças aprendiam a controlar raiva e frustração por conta própria com o passar do tempo. O ciclo se instala aos poucos, sem que a gente perceba.
O que fazer?

Reduza gradualmente o uso da tela como forma de acalmar e substitua por presença, conversa e atividades que exijam tolerância à frustração, como brincadeira livre, leitura e atividades manuais.
E o adulto presente, que nomeia, que acolhe e que não resolve tudo na hora, é a ferramenta mais poderosa nesse processo.
Geovanna Tominaga é jornalista, educadora parental, especialista em infância contemporânea e neurodesenvolvimento, autora do livro Terra do Contrário (PNLD 2026-2029) e idealizadora do Conversas Maternas.













