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Sharenting: o que os pais precisam saber


Sharenting: o que os pais precisam saber

Postar uma foto do filho sorrindo parece um gesto simples e cheio de afeto. E é. Mas existe uma linha tênue entre compartilhar um momento bonito e expor, de forma sistemática e involuntária, a vida de uma criança que ainda não tem voz para dizer se quer ou não estar ali.


Essa linha tem nome: sharenting. E os riscos que ela envolve vão muito além do que a maioria das famílias imagina.


O que é sharenting?

Sharenting é um termo em inglês formado pela combinação de share (compartilhar) e parenting (parentalidade). Descreve a prática de pais e responsáveis que compartilham de forma sistemática imagens, vídeos e informações sobre a rotina dos filhos nas redes sociais.


A diferença em relação ao compartilhamento eventual está na frequência, na abrangência e no público. Uma foto no álbum de família ou num grupo fechado de parentes tem impacto muito diferente de publicações regulares para centenas ou milhares de seguidores desconhecidos.


Quais são os riscos reais do sharenting?

Os riscos são mais concretos e mais graves do que a maioria dos pais percebe no momento de apertar o botão de publicar.


Em 2024, o Brasil registrou 593 mil denúncias de exploração e abuso sexual infantil online, o equivalente a um caso por minuto, conforme dados do Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas. Esse dado coloca o país entre os mais vulneráveis do mundo nessa área, e o sharenting é um dos fatores que ampliam esse risco.


Um estudo da organização não governamental Human Rights Watch, divulgado em junho de 2024, apontou que ao menos 170 imagens de crianças e adolescentes brasileiros de dez estados estavam sendo usadas, sem conhecimento ou autorização dos responsáveis, para o treinamento de ferramentas de inteligência artificial.


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Sharenting: o que os pais precisam saber

Fotos aparentemente inocentes, como a do bebê comendo ou da criança brincando na piscina, podem parar nas mãos de quadrilhas que manipulam as imagens e as vendem em plataformas e grupos que compartilham conteúdo com abuso sexual infantil.


Além disso, detalhes do dia a dia, como o nome da escola, o horário de saída, o bairro onde mora, o uniforme que usa e os locais frequentados pela família, podem ser extraídos de publicações regulares por qualquer pessoa com acesso ao perfil.


O sharenting afeta o desenvolvimento emocional da criança?

Sim. Pesquisa publicada na Revista Bioética em 2025 analisou os desafios para a privacidade e segurança infantil decorrentes do sharenting, identificando quatro categorias principais de impacto: privacidade e segurança digital, implicações psicológicas e culturais, dinâmica social e familiar, e resposta societal e legal.


Do ponto de vista do desenvolvimento, a criança que cresce sendo sistematicamente fotografada e publicada aprende, antes de ter capacidade de escolher, que sua vida tem audiência. Isso compromete a construção da identidade, da autonomia e da capacidade de existir sem validação externa, competências fundamentais para a saúde emocional na adolescência e na vida adulta.


O que diz a lei brasileira sobre sharenting?

No Brasil, a intimidade de crianças e adolescentes é protegida por duas leis fundamentais: o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).


O ECA Digital, Lei 15.211/2025, reforça essa proteção no ambiente digital, estabelecendo obrigações para plataformas e responsabilizando adultos pelo uso indevido de imagens de menores.


Segundo especialistas do Instituto Brasileiro de Direito de Família, o sharenting no Brasil pode levar alguns casos à responsabilidade parental, uma vez que a criança e o adolescente são sujeitos de direitos.


O que fazer na prática?

Antes de publicar qualquer imagem ou vídeo de uma criança, vale responder três perguntas:


  • Essa publicação revela informações sobre a rotina, localização ou escola da criança?

  • A criança, se pudesse escolher, consentiria com essa exposição?

  • Esse conteúdo é para ela ou é sobre ela?


A partir dos 7 anos, a criança já tem capacidade de participar dessa decisão. Incluí-la nessa conversa é, em si, um ato de desenvolvimento da autonomia.


Sharenting é a prática de compartilhar sistematicamente imagens e informações de crianças nas redes sociais. Os riscos vão da segurança digital ao desenvolvimento emocional: imagens já foram usadas para treinar IAs sem autorização, podem revelar dados de localização e rotina e comprometem a construção da identidade da criança.


A legislação brasileira protege a privacidade infantil pelo ECA e pela LGPD, mas a proteção mais eficaz começa na pergunta que o adulto faz antes de apertar publicar.


Geovanna Tominaga é jornalista, especialista em infância contemporânea e neurodesenvolvimento, autora do livro Terra do Contrário (PNLD 2026-2029) e idealizadora do Conversas Maternas.

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Eu sou Geovanna Tominaga, jornalista, educadora parental, especialista em neurociência, educação e desenvolvimento infantil. Sou estudante de psicopedagogia e mãe do Gabriel. 

Apaixonada por comunicação, criei o "Conversas Maternas" pra compartilhar  dicas e informações sobre maternidade e desenvolvimento infantil na Primeira Infância para uma parentalidade mais consciente.


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