Sono e as emoções: entenda
- Geovanna Tominaga

- 8 de jun.
- 4 min de leitura

Seu filho acorda irritado, faz birra fácil ou desregula com frequência? O sono pode ser ao motivo para a desregulação emocional.
Quando a criança não descansa, a birra é maior, a frustração chega mais rápido. A paciência dura menos.
Qualquer coisa pequena vira uma crise.
O sono é essencial para o desenvolvimento da crinaça, além de regular as emocoes. Enquanto a criança dorme, o cérebro está trabalhando! Quer saber como tudo isso acontece? Continue a leitura.
O que acontece no cérebro durante o sono
É durante o sono que o cérebro consolida memórias, processa as experiências emocionais do dia e restaura a capacidade de regulação para o dia seguinte.
Sem esse processo, a criança acorda com o sistema emocional sobrecarregado, sem os recursos necessários para atravessar os desafios normais do dia.
O sono REM, em especial, facilita a regulação emocional, a consolidação da memória e a plasticidade neural. É justamente essa fase que é mais comprometida quando a criança dorme menos do que precisa, ou quando a qualidade do sono é interrompida.

O sono REM (sigla em inglês para Rapid Eye Movement ou "Movimento Rápido dos Olhos") é a fase do ciclo do sono em que ocorrem os sonhos mais vívidos. Ele se destaca pela alta atividade cerebral, mas com o corpo paralisado para evitar que você encene fisicamente o que está sonhando.
Especilaistas explicam que o sono REM ocorre em ciclos ao longo da noite, intercalado com o sono não-REM (NREM). Funciona assim: cada ciclo dura em média 90 a 110 minutos. Ele é mais longo na segunda metade da noite, concentrando-se principalmente nas primeiras horas da manhã.
O prejuízo no sono REM afeta diretamente o desenvolvimento cerebral acelerado dessa fase. A falta desse descanso profundo transforma-se rapidamente em crises de birra, choro sem motivo aparente, hiperatividade e resistência para cooperar, já que o cérebro imaturo perde a capacidade de regular as próprias emoções.
Além disso, como é no sono REM que os pequenos consolidam as descobertas motoras e de linguagem do dia a dia, o comprometimento dessa etapa pode atrasar o aprendizado da fala, o desenvolvimento da coordenação e enfraquecer as defesas do organismo contra viroses comuns.
Sono, telas e o ciclo que a gente não vê
Uma pesquisa publicada na revista Clocks & Sleep em 2025, mostrou que há associações consistentes entre melhor qualidade de sono e melhora no bem-estar emocional, no desempenho cognitivo e na redução de problemas de comportamento.
O sono, segundo os pesquisadores, funciona como um mediador entre o uso de telas e as dificuldades emocionais e comportamentais.
Em outras palavras: não é só a tela que causa o problema. É a tela que compromete o sono, e o sono comprometido que compromete as emoções..
Quanto sono uma criança precisa?
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, as recomendações de sono por faixa etária são:
1 a 2 anos: 11 a 14 horas por dia, incluindo sonecas
3 a 5 anos: 10 a 13 horas por dia
6 a 12 anos: 9 a 12 horas por noite
13 a 18 anos: 8 a 10 horas por noite

Crianças que dormem consistentemente menos do que o recomendado apresentam maior irritabilidade, menor tolerância à frustração e mais dificuldade de se recuperar depois de uma crise emocional.
O que as telas têm a ver com isso
A luz azul emitida pelas telas suprime a produção de melatonina, o hormônio que sinaliza para o cérebro que está na hora de dormir. Quanto mais perto da hora de dormir a criança usa o celular, o tablet ou a televisão, mais difícil fica para o cérebro iniciar o sono.
Um estudo publicado na revista World Journal of Pediatrics em 2025 mostrou que a duração do sono funciona como um moderador entre o tempo de tela e os problemas emocionais e comportamentais em crianças pequenas.
Crianças com mais tempo de tela e sono insuficiente apresentaram significativamente mais dificuldades emocionais do que crianças com mais tempo de tela mas sono adequado.
A conclusão prática: proteger o sono protege as emoções!
O que fazer na prática
Crie uma rotina de descanso digital antes de dormir: Desligue as telas pelo menos uma hora antes de a criança ir para a cama. Substitua por banho, leitura em voz alta ou conversa calma. Esse ritual sinaliza para o cérebro que o momento de descansar está chegando.
Mantenha horários regulares de dormir e acordar: O cérebro infantil funciona melhor com previsibilidade. Horários irregulares comprometem a qualidade do sono mesmo quando a quantidade é suficiente.
Deixe o quarto sem telas: Celular, tablet e televisão no quarto são os maiores inimigos do sono infantil. E a regra vale para os adultos também — crianças aprendem mais pelo que veem do que pelo que ouvem.
O sono é o momento em que o cérebro do seu filho organiza as emoções do dia e se prepara para o dia seguinte. Quando protegemos o sono, estamos protegendo muito mais do que o cansaço físico. Estamos protegendo a capacidade emocional da criança de atravessar os desafios da vida com mais equilíbrio.
E isso começa muito antes de apagar a luz.
Geovanna Tominaga. Jornalista, especialista em infância contemporânea e neurodesenvolvimento, autora do livro Terra do Contrário (PNLD 2026-2029) e idealizadora do Conversas Maternas.



















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