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Como saber se eu sou superdotado?

Identificação: o que as famílias precisam saber


Menino superdotado de costas olhando paisagem.

O que muitas famílias não sabem é que a criança que aprende tudo muito rápido, faz perguntas que parecem avançadas demais para a idade, prefere a companhia de adultos e tem dificuldade de se encaixar com os colegas.


Um adulto que sempre se sentiu diferente sem conseguir explicar exatamente por quê.


Você se cansa de ambientes que todo mundo acha normais? Sente tudo com uma intensidade que parece desproporcional? Será que isso pode ser superdotação, mesmo não sendo o melhor aluno ou aluna da sala?


Pode ser que sim. E a única forma de saber com precisão é através de um processo de identificação adequado.


Por que a maioria dos superdotados nunca é identificada?

Saiba que a maioria dos superdotados não é identificada no Brasil. Existe uma subidentificação grave, alimentada por duas possibilidades principais:


  1. a falta de compreensão sobre o que é a condição, tanto na área da saúde quanto na educação.

  2. e os erros de processo de identificação, com pessoas superdotadas sendo identificadas erroneamente com outros transtornos, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).


Vale lembrar que superdotação não é um transtorno, mas pode vir acompanhada de outros transtornos do neurodesenvolvimento, como TEA ou TDAH.


O Censo Escolar de 2025 registrou apenas 56 mil estudantes identificados com AH/SD no Brasil. As estimativas indicam entre 4 e 10 milhões de pessoas com a condição. O abismo entre esses números é a medida do problema.


Superdotação não aparece onde a maioria espera

O primeiro equívoco que dificulta a identificação é o estereótipo do gênio: a criança que tira 10 em tudo, que se destaca visivelmente em sala de aula, que todos reconhecem imediatamente como diferente.


A realidade é muito mais complexa. Superdotação pode aparecer em diferentes áreas, como artes, esportes, liderança, inteligência emocional ou capacidade intelectual. Uma pessoa pode ser superdotada em uma ou mais áreas e em diferentes níveis.


E muitas crianças superdotadas, especialmente meninas, aprendem a se adaptar tão bem ao ambiente que ninguém percebe o que está acontecendo por baixo.

A superdotação é identificada a partir de parâmetros cognitivos, emocionais e comportamentais, e não apenas por desempenho acadêmico, explicou o psicólogo Damião Silva.


O perfeccionismo, a autocobrança, a ansiedade e a procrastinação são características frequentes que, quando não compreendidas dentro do contexto da superdotação, podem ser interpretadas como problemas de comportamento ou de saúde mental.


Quais são os sinais que merecem atenção?

Não existe uma lista definitiva, porque cada pessoa superdotada tem um perfil único. Mas alguns sinais que merecem investigação incluem:


  • Aprendizado muito mais rápido do que os colegas da mesma idade.

  • Vocabulário avançado para a faixa etária.

  • Curiosidade intensa e persistente sobre temas de interesse.

  • Preferência pela companhia de adultos ou crianças mais velhas.

  • Alta sensibilidade emocional.

  • Perfeccionismo intenso.

  • Dificuldade de tolerar o ritmo da sala de aula.

  • Comportamentos que parecem desatenção ou agitação quando o conteúdo não oferece desafio.

  • Sensação persistente de não pertencer a nenhum grupo.


Em adultos, os sinais mais comuns incluem a sensação de sempre ter sido diferente sem conseguir nomear exatamente em quê, o cansaço de se adaptar a ambientes que parecem lentos demais, o histórico de ansiedade ou burnout sem causa aparente e a identificação tardia.


Quem pode identificar a superdotação?

O profissional habilitado para conduzir o processo de identificação de superdotação é o psicólogo. Não é o médico neurologista ou o psiquiatra, como muitas famílias pensam.


No caso de crianças e adolescentes, a avaliação deve apontar caminhos para o atendimento educacional especializado, com orientações para a família e a escola.

Cada profissional tem um papel específico no processo:


Psicólogo — aplica testes psicométricos padronizados de inteligência, como o WISC-V (para crianças de 6 a 16 anos) e o WAIS-IV (para adultos), que medem o potencial cognitivo de forma objetiva. Emite relatório psicológico com valor formal junto às escolas e ao sistema educacional.


Neuropsicólogo — psicólogo com especialização em neuropsicologia. Recomendado especialmente quando há suspeita de dupla excepcionalidade, ou seja, quando a pessoa pode ter superdotação junto com TDAH, autismo, dislexia ou outro transtorno.


Neuropsicopedagogo — integra conhecimentos de neurociência, psicologia e pedagogia. Mapeia o perfil de aprendizagem, orienta a escola e a família e acompanha casos de dupla excepcionalidade. Não aplica testes psicométricos privativos do psicólogo, mas tem papel fundamental no acompanhamento contínuo.


Psicopedagogo — pode observar indicadores de AH/SD no contexto escolar e encaminhar para avaliação formal. Não aplica testes de inteligência, mas contribui na identificação inicial e no acompanhamento pedagógico.


Professor — a Lei 15.436/2026 prevê que professores treinados podem identificar indicadores e encaminhar o aluno para avaliação. Na prática, ainda é raro porque a formação docente nessa área é escassa.


O que é a avaliação multidimensional?

A avaliação mais atualizada para identificação de AH/SD é a avaliação multidimensional. Diferente de uma avaliação que considera apenas o QI, a avaliação multidimensional analisa múltiplos aspectos do funcionamento da pessoa: cognitivo, emocional, comportamental e criativo.


Essa abordagem é especialmente importante porque a superdotação não é unidimensional. Uma pessoa pode ter QI muito elevado e dificuldades emocionais significativas. Pode ter altas habilidades em criatividade e desempenho acadêmico apenas mediano. A avaliação multidimensional captura essa complexidade de forma mais precisa.


Como funciona na prática: o passo a passo para famílias


Os pais também tem seu papel no processo de avaliação de uma possível superdotação nos filhos. Anote o que você pode fazer:


Passo 1 — Observe e registre

Anote comportamentos, interesses e características que chamam atenção. Com que frequência aparecem. Em quais situações. Esse histórico é valioso para qualquer profissional que for avaliar a criança.


Passo 2 — Converse com a escola

Pergunte se a escola tem instrumentos de identificação de AH/SD e como funciona o processo de encaminhamento. Compartilhe suas observações com os professores.


Passo 3 — Busque um psicólogo especializado

Procure psicólogo com experiência em altas habilidades e superdotação. A especialização faz diferença porque o perfil da superdotação exige conhecimento específico para ser identificado corretamente e não confundido com outros transtornos.


Passo 4 — Realize a avaliação

A avaliação psicológica inclui entrevistas, testes padronizados e observação. Ao final, o psicólogo emite um relatório descrevendo o perfil da pessoa. Esse relatório não é um laudo médico. É uma descrição de características que pode ser levada à escola para solicitar adequações pedagógicas previstas em lei.


Passo 5 — Leve o relatório à escola

Com o relatório em mãos, solicite à escola as adequações pedagógicas às quais a criança tem direito pela Lei 15.436/2026. Exija que a escola registre seu filho no Cadastro Nacional de Estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação.


Esse cadastro é fundamental para que o estudante acesse políticas públicas, atendimento educacional especializado e tenha sua trajetória acompanhada pelo sistema." Não é necessário laudo médico para acessar esse direito.


Identificacao da superdotação na vida adulta?


Mulher superdotada trabalhando no computador

A identificação tardia é muito mais comum do que se imagina. A superdotação não desaparece com a idade, mas pode passar despercebida.


Muitos adultos chegam ao consultório depois de anos se sentindo diferentes, sem compreender o motivo.


Ao obterem o apontamento, sentem um alívio, pois finalmente encontram explicações para suas vivências, como conta a jornalista geovanna Tominaga que foi identificada aso 44 anos, após sofrer um burnout.


Para adultos que suspeitam da condição, o caminho é o mesmo: buscar um psicólogo especializado em AH/SD para uma avaliação psicológica completa.


Identificar a condição na infância ou na vida adulta abre caminho para um desenvolvimento mais saudável e para o acesso aos direitos educacionais garantidos em lei.


📖 Recomendações de leitura:


Da redação. Por Geovanna Tominaga - jornalista, especialista em infância contemporânea e neurodesenvolvimento, autora do livro Terra do Contrário (PNLD 2026-2029) e idealizadora do Conversas Maternas.



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Mãe de primeira viagem

Eu sou Geovanna Tominaga, jornalista, educadora parental, especialista em neurociência, educação e desenvolvimento infantil. Sou estudante de psicopedagogia e mãe do Gabriel. 

Apaixonada por comunicação, criei o "Conversas Maternas" pra compartilhar  dicas e informações sobre maternidade e desenvolvimento infantil na Primeira Infância para uma parentalidade mais consciente.


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